Uma forma de modéstia • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 19 de setembro de 2014

Uma forma de modéstia

Estocado em Traduzindo Borges

Jorge Luis Borges

 

Lembro que quando comecei a escrever não se pensava no sucesso ou no fracasso de um livro. O que se chama de “sucesso” não existia naquele tempo, e o que se chama de “fracasso” era tido como certo. Um autor escrevia para si mesmo e, quem sabe (como Stevenson costumava dizer), para um pequeno grupo de amigos. Hoje, por outro lado, se pensa nas vendas. Sei que há autores que anunciam publicamente o lançamento de uma quinta, sexta ou sétima edição, e que ganharam esta ou aquela soma de dinheiro. Isso teria parecido inteiramente ridículo quando eu era jovem; teria parecido incrível. As pessoas teriam pensado que o escritor que diz o quanto ganhou com seus livros está na verdade dizendo: “Sei que o que escrevo não tem qualidade, mas o faço por motivos financeiros ou porque tenho de sustentar minha família”. Vejo na atitude quase uma forma de modéstia. Ou de estupidez pura e simples.

Citado em Seven Conversations with Jorge Luis Borges, de Fernando Sorrentino

 

Paulo Brabo @saobrabo

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