O custo da oportunidade

A primeira coisa é você não enganar a si mesmo; e ninguém você engana com mais facilidade do que a si mesmo.
Richard Feynman

 

Não entendemos a realidade diretamente, mas intermediada por discursos, preconcepções e filtros – óculos ideológicos que determinadas disciplinas chamam de modelos. Modelos conceituais explicam para nós a realidade mesmo quando não pensamos neles; na verdade, sua eficácia está ligada ao fato de que determinados modelos nos parecem tão naturais que não requerem reflexão. Cremos que estamos olhando o mundo diretamente, e esquecemos que estamos usando os óculos de determinada ideologia.

O mundo ao reverso (e outros versos)

Nada é mais sério do que uma festa: nada concilia e emblema melhor a dupla paixão humana pela liberdade por um lado e pelo ritual por outro. Uma festa é um dia programado para ser fora do programa, e essa contradição encarna mais do que qualquer outro aspecto da cultura os contrastes da condição humana.

Os antropólogos entenderam há muito tempo o engano que seria continuar dividindo festas populares entre sagradas e profanas, visto que cada festa que encontrou ocasião de se entremear no calendário das gentes celebra a seu modo uma entrada no domínio do que não pode ser dito, visto ou explicado: o domínio do sagrado, que só pode Continue lendo →

O gerenciamento da esperança [5]

O que não consigo deixar de pensar é no seguinte: que se você resolvesse mudar de vida,

O gerenciamento da esperança [2]

A carta do Claudio Oliver me trouxe à lembrança o que está escrito na seção A luta por uma eternidade mais justa de As divinas gerações: a noção, soprada para mim por Alan F. Segal, de que a Bíblia é de uma ponta à outra, do Gênesis ao Apocalipse, uma polêmica contra a civilização.

O gerenciamento da esperança [1]

Quando descrevo meu amigo Claudio Oliver como pessimista e desiludido posso ter desenhado a imagem de um cara amargo e sem esperança, o que não poderia estar mais longe da verdade. O Oliver não deixa que a dureza das suas ideias se cristalize em cinismo, como eu faço, mas transmuta o que poderia gerar cólera e rancor em coragem e gentileza, em disponibilidade e abundância.

Porém, dentro todos, o Oliver terá entendido que não pode haver elogio maior do que “desiludido”. Para se ter esperança é preciso não se ter ilusões: do contrário o que você tem não é esperança, é ilusão.

O que preciso fazer para você assistir ‘Sudoeste’ de Eduardo Nunes

O filme de 2011 que é uma poesia, uma aquarela, uma ciranda, um cortejo fúnebre, uma folia popular e uma torrente ininterrupta de lirismo?

Enquanto o tempo passa, o filme aguarda na íntegra no canal de The Global Film Initiative. Assista e vislumbre comigo a precária comunhão de perplexidade que nos une. A Escritura não está fazendo uma metáfora quando usa a mesma expressão – toda a carne – para referir-se à humanidade e a toda vida na terra. Os animais não sabem que serão interrompidos pela morte, mas maravilham-se da vida tanto quanto nós. Mais consequente e vertiginosa Continue lendo →

Ready for that day [2]

Are you prepared to run this Christian race?

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Welcome | Clique no triângulo para ouvir

Para uma congregação degenerar-se em seita basta um único ingrediente: um líder. Nem todas as congregações tem um líder e nem todas as congregações são seitas, mas todas as seitas tem um líder. Destemperados todos somos; nosso problema é que alguns de nós chegam ao poder. Nota para mim mesmo: Brabo, não siga líderes. Por tudo que é sagrado, não se torne um.

Mortos, mortos, mortos

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Dead, dead, dead, Juan Schwartz e coro de crianças de South Park | Clique no triângulo para ouvir

 

Do fascinantemente ofensivo álbum de Natal da série animada South Park, uma reflexão jubilosa sobre – digamos – a transitoriedade da vida:

Morto, morto, morto,
Um dia você estará morto
Mortos, mortos, mortos,
Um dia estaremos todos mortos

No minuto em que nascemos começamos a morrer
Morremos a cada dia um pouco mais
Jovem ou velho, rico ou pobre,
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