A fraternidade das letras

Em Bauru, quando chegamos à cidade em 1979, não havia uma livraria de verdade e a biblioteca pública, que não era pequena, tinha menos livros interessantes do que a minha, que era. Enquanto me demorava a fazer amigos, eu passava o tempo sentindo falta da Biblioteca Pública de Londrina e da Livraria Ghignone de Curitiba, ambas vastas e inacessíveis.

O último – e único – reduto para ratos de livro como eu eram as três ou quatro estantezinhas de livros da papelaria Tilibra, que era a maior da região mas dedicava a melhor parte das suas instalações a produtos de giro mais certo. Meu problema era que, mesmo diante de oferta Continue lendo →

A feira de livros de Can’acre

Para Mark Carpenter

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Quando li não lembro onde que a paixão por livros é a mais avassaladora de todas as paixões pensei eu gostaria de ter escrito isso, mas esse é um pensamento que me assalta com tanta freqüência que não lhe atribuo nenhuma significação especial; nada o distingue de outras fugidias falsas reminiscências e pequenas invejas que constituem o meu limitado estro intuitivo e o ruído de fundo de minhas emoções, Continue lendo →

O que dura uma idéia

[Sexto Empírico] (Adversus mathematicus, XI, 197) nega o passado, que já foi, e o futuro, que não é ainda, e argumenta que o presente ou é divisível ou é indivisível. Não é indivisível, pois nesse caso não teria princípio que o vinculasse ao passado nem fim que o vinculasse ao futuro; não teria sequer meio, porque não tem meio o que carece de princípio e fim. Tampouco é divisível, pois nesse caso constaria de uma parte que foi e de outra que não é. Ergo, o presente não existe, mas como tampouco existem o passado e o porvir, o tempo não existe.

O tempo não existe.

F. H. Bradley redescobre e melhora essas perplexidades. Observa (Appearance Continue lendo →

A força do leão

Os filósofos do país de que estou falando leram O Ramo Dourado de Frazer e concluíram que a ciência é a mais insidiosa e inatural das superstições. O homem primitivo cria enxergar alguma relação secreta e invisível entre matar um leão ou vestir sua pele e herdar sua força; da mesma forma creem os cientistas existir uma relação direta e rigorosa entre o pressionar do interruptor e o acender da lâmpada, entre a aplicação da vacina e a produção dos anticorpos, entre a passagem do tempo e a luz das estrelas. Porém quem pode afirmar, sem recorrer à superstição ou Continue lendo →


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