Onde não se imaginaria • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 09 de outubro de 2013

Onde não se imaginaria

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Me interessam foliões anônimos, bêbados líricos, jogadores de futebol de várzea, clubes pequenos, putas velhas, caminhoneiros, retirantes, devotos, iaôs, ogãs, ajuremados, feirantes, motoristas, capoeiras, jongueiros, pretos velhos, violeiros, cordelistas, mestres de marujada, moças do Cordão Encarnado, meninos descalços, goleiros frangueiros e romances de subúrbio, embalados ao som de uma velha marcha-rancho, triste de marré-de-si, que ninguém mais canta.

É pela aproximação amorosa, pelo ato de acariciar com devoção sagrada – amor, eu diria – as pedrinhas miúdas, que me alumeio no mundo. Os olhos brasileiros são os únicos que tenho para mirar os dias. É com eles que eu busco conhecer e, mais do que isso, me reconhecer, na aldeia dos meus pais e do meu filho – terra das alegrias na fresta, das canções de gentilezas e dos fuzuês onde, amiúde, não se imaginaria, de tão escassa, a vida.

O resto são as coisas e pessoas poderosas – inimigas dos rios e das ruas – e suas irrelevâncias.

O caboclo descalço Luiz Antonio Simas no terreno despojado (então sacrossanto) de suas Histórias Brasileiras. Com três vivas ao Rondinelly, que me conduziu ao Simas, que conheci há dois dias e sem o qual já não saberia viver.

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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