O triunfo do simulacro • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 30 de novembro de 2011

O triunfo do simulacro

Estocado em Goiabas Roubadas

Daniel Oudshoorn, escrevendo sobre porque não tenho uma conta do Facebook, ou explicando de que modo posso um dia voltar a ter (já tive como ele uma conta secreta, por dois ou três anos: dois amigos, deve ter sido uma espécie de recorde):

Outro dia uma velha amiga — que já foi minha companheira de quarto e colega de trabalho, e uma das poucas mulheres do mundo com as quais eu concordaria em caminhar pelos becos da porção leste do centro de Vancouver à uma da manhã — veio me visitar e descobriu que tenho uma “secreta” e minúscula conta no Facebook. Ela ficou chocadíssima que eu não a tivesse “adicionado como amiga”, e concluiu que isso quer dizer que não somos amigos “de verdade” — apesar do fato de fazermos coisas como sair juntos e conversar sobre praticamente tudo, de nossas vidas sexuais a nossos conflitos mais íntimos. Já livramos um ao outro de enrascadas mais de uma vez (incluindo duas ocasiões em que havia gente com risco iminente de morrer), mas o que realmente importava pra ela é que não éramos “amigos” no Facebook — isto é, uma comunidade virtual em que imagens institucionais de pessoas se relacionam com imagens institucionais de outras pessoas (isto é, Second Life com outro nome).

É o tipo de coisa que confere substância às alegações de Baudrillard sobre o triunfo do simulacro (ou às observações de Zizek de que a ascensão da internet representa a ascensão de uma nova forma de desencarnação gnóstica).

Leia em seguida:
O apocalipse de Debord

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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