O elemento humano • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 22 de fevereiro de 2014

O elemento humano

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Se vence, se perde
Pisam-se merdas
Que se enfiam nas ranhuras da sola
Se vive, se morre
Se experimenta uma dor da qual
não há jamais um pensamento que te console

L’elemento umano, Jovanotti | Clique no triângulo para ouvir

Fala-se com os cachorros, apertam-se mãos
Finge-se com frequência ser alguma coisa
Olha-se o pôr do sol, chega-se com atraso
Chovem sobre nós os estilhaços de vidas explodidas
Fazem-se filhos
Sonham-se sonhos
Se fazem castelos de areia na praia
Se enfiam pérolas de vidro nos colares e se projeta uma fuga

Nós somos o elemento humano dentro da máquina
E somos livres debaixo das nuvens

Nós somos o elemento humano dentro da máquina
E é por hábito que fazemos mal uns aos outros

Procura-se emprego, acumula-se stress
Que depois explode numa inesperada reviravolta do roteiro
Procura-se qualquer coisa que faça brotar
Duas asas de andorinha nas costas
Se acusam os outros, se omitem refeições,
Se desce para levar o lixo para fora
Alisam-se rugas, debulham-se espigas
Calculam-se os mil rostos do medo
Se nasce num lugar, se pega um navio para chegar a onde se possa nascer de novo
Colocam-se flores entre as páginas de um diário a fim de recordar um momento de verdadeira vida

Nós somos o elemento humano dentro da máquina
E somos livres debaixo das nuvens

Nós somos o elemento humano dentro da máquina
E somos livres

Fazem-se planos, apertam-se mãos
Assinam-se acordos que prevem penalidades
Cospe-se na terra, perde-se a guerra
Se pensa que no final não faz diferença
Move-se a torre, protege-se o bispo
Passa-se um dia inteiro defendendo-se o que se perdeu
Escreve-se a password, entra-se na network e por um instante se imagina tudo diferente
Estuda-se um sistema, propõe-se um problema
Tenta-se chegar antes para ter o tempo que avança
Descobre-se ter-se um imenso poder mas não basta jamais

Nós somos o elemento humano dentro da máquina
E somos livres debaixo das nuvens

Nós somos o elemento humano dentro da máquina
E é por hábito que fazemos mal uns aos outros

E somos livres

* * *

Si vince, si perde
si pestano merde
che si infilano nelle fessure sotto la suola
si vive, si muore
si prova dolore dal quale
non c’e’ un pensiero
che ti consola
si parla coi cani, si stringono mani
si fa spesso finta di essere qualcosa
si guarda il tramonto, si arriva in ritardo
ci piovono addosso macerie di vita esplose
si fanno dei figli,
si sognano sogni
si fanno castelli di sabbia sul bagnasciuga
si infilano perle di vetro nelle collane e si progetta una fuga

Noi siamo l’elemento umano nella macchina
E siamo liberi sotto alle nuvole

Noi siamo l’elemento umano nella macchina
E siamo liberi sotto alle nuvole

Noi siamo l’elemento umano nella macchina
E siamo liberi sotto alle nuvole

Noi siamo l’elemento umano nella macchina
E siamo liberi sotto alle nuvole

Noi siamo l’elemento umano nella macchina
E ci facciamo del male per abitudine

Si cerca di lavoro, si accumula stress,
che poi esplode in un improvviso cambio di scena
si cerca qualcosa che faccia spuntare
due ali di rondine dietro la schiena
si accusano gli altri, si saltano i pasti
si scende sotto a portare la spazzatura
si spianano rughe, si spigano spighe
si fa i conti con i mille volti della paura
si nasce in un posto, si prende una barca per arrivare dove poter nascere ancora
si mettono fiori tra pagine di diario per ricordarci un momento di vita vera

Noi siamo l’elemento umano nella macchina
E siamo liberi sotto alle nuvole

Noi siamo l’elemento umano nella macchina
E siamo liberi sotto alle nuvole

Noi siamo l’elemento umano nella macchina
E siamo liberi sotto alle nuvole

Noi siamo l’elemento umano nella macchina
E siamo liberi – e siamo liberi, e siamo liberi

Si fanno dei piani, si stringono mani
si firmano accordi che prevedono una penale
si sputa per terra, si perde la guerra
Si pensa che alla fine poi tanto e’ sempre uguale
si muove la torre, si copre l’alfiere,
Si passa una giornata a difendere cio’ che e’ perso
si scrive la password, si entra nel network e per un po’ si immagina tutto diverso
si studia un sistema, si pone un problema
si cerca di far presto per avere tempo che avanza
si scopre di avere un immenso potere ma non e’ mai abbastanza

Noi siamo l’elemento umano nella macchina
E siamo liberi sotto alle nuvole

Noi siamo l’elemento umano nella macchina
E siamo liberi sotto alle nuvole

Noi siamo l’elemento umano nella macchina
E siamo liberi sotto alle nuvole

Noi siamo l’elemento umano nella macchina
E ci facciamo del male per abitudine, oooh

E siamo liberi – e siamo liberi
E siamo liberi – e siamo liberi

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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