Muitas coisas perecem com o rico • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 17 de julho de 2015

Muitas coisas perecem com o rico

Estocado em Goiabas Roubadas

Ah, ricos, até onde vocês levarão os seus caprichos insanos? Decidiram habitar esta terra sozinhos?

Por que expulsam quem compartilha da mesma natureza que vocês? Por que reivindicam para si a posse do mundo?

A terra foi criada para todos como bem comum, para os ricos e para os pobres. Por que vocês, ricos, arrogam para si o direito à propriedade da terra?

A natureza, que gera todos igualmente pobres, desconhece os ricos. Não nascemos vestidos, não vimos gerados com ouro e prata. A terra nos dá à luz nus, necessitados de alimento, de vestimenta e de bebida, e nos acolhe nus como nos gerou: não é capaz de conter dentro de um sepulcro os limites daquilo que possuímos. Um pequeníssimo pedaço de terra é mais do que suficiente tanto para o pobre quanto para o rico; e a mesma terra que, enquanto era vivo, não podia conter a ganância do rico, agora o abraça por inteiro.

Quando nascemos e quando morremos a natureza ignora, portanto, as distinções: a todos cria-nos iguais, e igualmente nos encerra no seio de um sepulcro.

Quem pode distinguir a posição social dos mortos? Remova a terra e reconheça o rico, se for capaz. Escave em seguida a sepultura e, se consegue reconhecê-lo, indique o pobre. Por um único indício você poderá quem sabe distingui-los: pelo fato de que muitas coisas perecem com o rico.

Ambrósio de Milão (337-397 d.C.) em A história de Nabote. A história em que Ambrósio baseou o seu comentário está registrada na Bíblia no primeiro livro de Reis, capítulo 21

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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