O Fim da National Geographic

Faz meses que tento escrever sobre isso, mas trata-se de assunto para mim tão aterrador que não encontro o jeito de criar o impacto certo.

Quero apenas mencionar, então, um momento concebível do futuro que me apavora: o fim da revista National Geographic.

A revista, carro-chefe das atividades da norte-americana National Geographic Society e também editada em português, circula desde 1888, mas num mundo pós-Google Earth não tem como subsistir indefinidamente dentro dos moldes originais. Quando todos os destinos do planeta se esgotarem, Continue lendo →

61 versões de Tico-tico no fubá

Num momento de lucidez os loucos do blog da rádio WFMU compilaram e disponibilizaram online 61 gravações (em mp3) da música Tico-tico no Fubá, de Zequinha de Abreu.

Nem eu me dispus a ouvir todas, mas posso recomendar pelo exotismo esta versão em inglês das adoráveis Andrews Sisters, esta versão viajandona da Banda Black Rio, este tango da Família Lima e a grandiloqüente gravação da Orquestra do Hollywood Bowl. Marcam presença ainda Henry Mancini (do tema de A Pantera Continue lendo →

A família pré-industrial

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Papai tá lá na roça, mamãe foi ajudar

Não adianta: nossa tendência é idealizar o passado. Nada é mais belo e admirável ou idealizável do que o passado, especialmente à medida que vai se ficando velho, e com o devido tempo todo mundo fica.

Exigimos que as coisas sejam como sempre foram, porque é verdade auto-evidente que eram melhores antes. A família, por exemplo. Já deixei registrada aqui e aqui a falta que ela me faz: a família grande, relíquia de um tempo irrecuperável.

Os requintados prazeres do filme de monstro

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Há no paraíso uma ala inteira em que é sempre de madrugada e em todas as televisões está passando incessantemente filmes de monstro. Um após o outro.

Desde que me conheço por gente, e nisso não mudei nada, poucas coisas me dão maior prazer do que filme de monstro – especialmente se for preto e branco, da década de 50. Se o monstro for gigante (formiga, aranha, gafanhoto) melhor ainda. Se for gigante e pré-histórico e invadir alguma cidade – alcançou a perfeição.

Recentemente extraí da internet (por aqueles meios que não se menciona), um irretocável filme de monstro que nunca havia assistido, mesmo tendo sido Continue lendo →

Caco Postal

Houve um tempo em que ninguém andava na Rua XV, em que as pessoas mandavam cartões postais umas para as outras e em que todos os toldos das barraquinhas e bancas do centro de Curitiba eram de acrílico roxo. Quem mandou-me este, para meu endereço de Bauru, foi Carlos, o Bondoso (Caco, para os sobrinhos). O ano é 1979, como comprova este detalhe.

O que não mudou é que as mensagens do Caco continuam brevíssimas.

Carlos, como creio que nunca respondi às perguntas que você faz neste cartão, nunca é tarde. Quando venho para Curitiba? Estou aqui desde 1987. Devo ter crescido bastante, né? Amigo, você não tem noção.

Saludos Amigos

O Pato Donald visita Zé Carioca no Brasil disneydealizado de 1942. O malandro, você deve lembrar, tentou até ensinar o pato a sambar. Quem canta é Aloysio de Oliveira com o Bando da Lua (famoso por acompanhar Carmen Miranda).

Saludos Amigos – todas as faixas em mp3

ADVERTÊNCIA: Brasileiras mesmo apenas a faixa 3, Aquarela do Brasil e a 5, Tico-Tico no fubá. Essa última está imperdível.

Da coleção de LPs infantis disponíveis em www.kiddierecords.com.


Depositado em juízo por Paulo Brabo · Desde 2004 · Sobre o autor e esta Bacia · Leia um livro · Olhe desenhos · Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo nas Índias Ocidentais · Fale comigo · A Bacia das Almas já foi refutada mais de uma vez por teólogos abalizados