Como brasileiros e italianos contam até três • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 23 de outubro de 2014

Como brasileiros e italianos contam até três

Estocado em Fotografia · Gírias e Falares

Minha paixão pela humanidade é perfeitamente bipolar, alternando pessimismo e exaltação que não têm aparentemente nenhum estágio intermediário. Por vezes a mera diversidade das culturas tecidas pelas gentes – um sotaque, uma nova gíria, um folheto de cordel, descobrir que no Ceará rede de dormir às vezes se diz baladeira, descobrir que em italiano mappa é feminino e ponte é masculino , tomar suco de cajá pela primeira vez, uma expressão que colho ao acaso do Dicionário do Nordeste de Fred Navarro, comer buchada de bode pela primeira (e última) vez, visitar a ala de carnes do mercado de Patos, receber um beijo comovido de um italiano heterossexual no mesmo dia em que nos tornamos amigos, ver um casal de romeiros de cabelos brancos dormindo descalços e abraçados no chão fresco de uma igreja em Canindé (enquanto esperam que passe a hora mais quente do dia) – basta para me encher de esperança que é um farol.

Se tanto do que fazemos diferente dos outros e consideramos natural é porque nos foi ensinado, talvez não seja impossível aprender a ver o diferente como natural.

 

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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