Al-Kashf ‘an Manahij al-Adilla • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 07 de abril de 2008

Al-Kashf ‘an Manahij al-Adilla

Estocado em Goiabas Roubadas · História

Esta obra tem por objeto de estudo as críticas de Averróis contra os argumentos dos teólogos em favor da existência de Deus em seu livro Al-Kashf ‘an Manahij al-Adilla fi ‘Aqaid al-Milla (“Exposição dos métodos de comprovação referentes às crenças da comunidade”).

Nesse livro Averróis assume a delicada posição de criticar todas as principais escolas de teologia do seu tempo. Ele o faz em nome da razão, sustentando que qualquer interpretação dos versos do Alcorão que não sobreviva ao escrutínio da razão não merece ser abraçada; é na verdade perigoso aceitá-la. E o que é pior, não é conduta legítima impor essa interpretação à força sobre as pessoas comuns, ainda que em nome de Deus ou da lei.

De acordo com Averróis (1126-1198 d.C.), os teólogos interpretaram a Escritura de uma forma que concedeu a eles autoridade sobre as mentes e sobre as vidas dos crentes. Os teólogos definiram o que é crença correta e o que é heresia, preparando dessa forma o terreno para a definição do Verdadeiro Muçulmano e exercitando tremenda influência sobre a vida política da comunidade islâmica. Eles monopolizaram o acesso à verdadeira fé e ostracizaram “a todos que discordam deles, relegando-os à posição de hereges e incrédulos cujo sangue e propriedades estão à disposição de qualquer um”.

Essa postura intransigente, segundo Averróis, era causa de grande parte do derramamento de sangue e das lutas internas que assolavam a comunidade religiosa. Ao criticar a posição dos teólogos e desafiar o seu monopólio em determinar os padrões religiosos, morais e políticos da comunidade muçulmana, Averróis esperava enfraquecer a sua influência política e libertar o povo comum da obrigação de segui-los. Porém, apesar dessas boas intenções, as críticas de Averróis acabaram produzindo o efeito contrário, minando a sua própria posição dentro da comunidade. Seus livros foram queimados publicamente, o ensino da sua filosofia foi banido de um extremo a outro do Califado Árabe ocidental e ele mesmo foi expulso de Córdoba, sua cidade natal.

Dr. Ibrahim Y. Najjar, em Ibn Rushd’s criticisms of the theologians’ arguments for the existence of God

Paulo Brabo @saobrabo

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