A primeira aparição pública de Abraão • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 01 de junho de 2009

A primeira aparição pública de Abraão

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ABRAÃO: A primeira aparição pública de Abraão

Então Abraão, ao comando de Deus, recebeu do anjo Gabriel ordens para seguir Ninrode até a Babilônia. Ele argumentou que não estava de modo algum equipado para empreender uma investida militar contra o rei, mas Gabriel acalmou-o com as seguintes palavras:

— Você não precisa de provisões para o caminho, nem de cavalos para cavalgar, nem de guerreiros para travar guerra contra Ninrode; não precisa de carruagens nem de cavaleiros. Apenas sente-se sobre o meu ombro, e irei eu mesmo levá-lo até a Babilônia.

Abraão fez como lhe havia sido dito, e num piscar de olhos viu-se diante dos portões da cidade de Babilônia. Diante da ordem do anjo ele entrou na cidade, e proclamou em alta voz a seus habitantes:

— O Eterno é o Único Deus, e não há outro além dele. É o Deus do céu, o Deus dos deuses, e o Deus de Ninrode. Reconheçam-no como verdade, todos vocês, homens, mulheres e crianças. Reconheçam também que eu sou Abraão, servo dele, o fiel ministro da sua casa.“O Eterno criou o mundo para que os homens acreditassem nele.”

Abraão encontrou seus pais na Babilônia, e viu também o anjo Gabriel, que mandou-o anunciar a seu pai e sua mãe a verdadeira fé. Abraão então lhes disse:

— Vocês servem um ser humano como vocês, e prestam adoração a uma estátua de Ninrode. Vocês não sabem que uma estátua tem boca mas não fala, tem olhos mas não vê, tem ouvidos mas não ouve? Não veem que não pode andar por seus próprios pés, e que não há nela vantagem alguma, seja para si mesma ou para os outros?

Quando ouviu essas palavras Tera persuadiu seu filho a segui-lo para dentro de casa, onde Abraão contou-lhe tudo que havia acontecido — como havia num dia completado uma viagem de quarenta dias. Tera então foi a Ninrode e contou-lhe que seu filho Abraão havia aparecido repentinamente na Babilônia. O rei mandou chamar Abraão, que veio à presença dele com seu pai.

Abraão passou pelos magnatas e dignitários até chegar ao trono real, que tomou com ambas as mãos, passando a sacudi-lo com firmeza e a dizer em voz muito alta:

— Ah, Ninrode, patife miserável, que nega a essência da fé; que nega o Deus vivo e imutável e Abraão seu servo, o fiel ministro da sua casa. Reconheça-o e repita depois de mim as seguintes palavras: “O Eterno é o Único Deus, e não há outro além dele; é incorpóreo, vivo e sempiterno; não dorme nem cai no sono, e criou o mundo para que os homens acreditassem nele”. E confesse também acerca de mim, reconhecendo que sou o servo de Deus e o fiel ministro da sua casa.

Enquanto Abraão proclamava em voz alta essas coisas os idólos caíram de rosto no chão, e com eles também o rei Ninrode. Pelo intervalo de duas horas e meia o rei jazeu sem vida, e quando sua alma lhe retornou, Ninrode disse:

— É sua voz, Abraão, ou a voz de Deus?

— Essa voz — respondeu Abraão — é a voz da menor das criaturas que Deus chamou à existência.

Diante do que Ninrode disse:

— Verdadeiramente o Deus de Abraão é um Deus grande e poderoso, o rei dos reis.

E ordenou a Tera que pegasse seu filho e o levasse dali, voltando a sua própria cidade, e pai e filho fizeram como o rei havia ordenado.

* * *

Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash (particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928.

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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